Uma breve análise do atual cenário político carioca

 Resta saber o que foi realizado nos primeiros quatro anos de governo que justificou sua reeleição

*Fábio Manes, Fabiana Targino e Gabriel Amorim

Sergio Cabral foi reeleito governador do estado do Rio de Janeiro, ainda no primeiro turno, com 66% dos votos válidos. E várias perguntas pairam no ar do mais atento e não querem calar: Quais foram as propostas realizadas no primeiro mandato e quais promessas não foram cumpridas? O que devemos esperar para o segundo governo? O Rio de Janeiro receberá Copa do Mundo, Olimpíadas e Rock in Rio e outros eventos internacionais que dependem de uma infra-estrutura que a cidade ainda não possui.

Quando foi eleito governador do Estado do Rio de Janeiro, em 2006, Cabral fez as seguintes promessas para o povo do Rio:

Melhorar os salários dos funcionários da saúde e da educação. Realizar concursos nas áreas onde fosse necessário contratar mais gente, além de diminuir o número de funcionários terceirizados, que pesam no orçamento do Estado. Estes foram alguns de vários projetos que não tiveram limite. Também a questão do plano de cargos e salários e condições de trabalho melhores para os profissionais da educação, assim como a continuidade de atendimento nos Postos de Saúde por 24 horas, tendo recuperado e modernizado os hospitais seriam propostas que se somariam às tantas outras.

Grande investimento na área de segurança, com ênfase no combate ao roubo de carros e reforço no policiamento nas áreas de risco, como a Linha Vermelha, e renovação da frota das polícias Civil e Militar. Além disso, prometeu retirar o prédio do Instituto Médico Legal do Centro do Rio de Janeiro, a construção de novos batalhões e investimento no setor de inteligência.

 Para combater o crescimento das favelas no Estado, a proposta seria a construção de 200 mil casas ao longo da Avenida Brasil.

Depois de quatro anos, pouca coisa mudou
Os salários oferecidos aos profissionais da saúde e educação continuam entre os piores da categoria. A falta de funcionários é evidente e a terceirização continua.

O número de cursos profissionalizantes cresceu. Mas as condições de trabalho dos professores pioraram. Registros de agressões físicas de alunos a outros alunos (o bullying) e aos professores também se tornaram rotina.

Os postos de saúde foram sucateados e ao invés de reformá-los, eles foram substituídos pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPA). A iniciativa até que é válida, mas fica comprometida pela péssima estrutura da saúde do estado. O movimento é tão grande que as UPA’s já não suportam o fluxo de pessoas que chegam.

Na área de segurança, multiplicam-se os assaltos e arrastões pela cidade. A Linha Vermelha é o retrato da situação. Nem mesmo a polícia se arrisca a passar ali de noite. O número de roubo de carros aumentou consideravelmente na cidade. O setor de inteligência da PM é pautado por gafes. A ultima foi a contratação de um falso Tenente-Coronel para a Secretaria de Segurança e que chegou até a dar aulas de tiro na academia de polícia.

 Com relação às favelas, a construção de 200 mil casas ao redor da Avenida Brasil soa agora como piada. Em seu lugar veio o apoio do Governo Federal no Programa de Aceleração do Crescimento (ou PAC), que está urbanizando e melhorando as condições de vida das pessoas que vivem nessas áreas.

E para o futuro?

Cabral se reelegeu Governador do Estado propondo aumentar a transparência dos gastos públicos, fortalecendo a fiscalização. Além de cumprir com as promessas do passado, caberá ao governador também completar a lista de tarefas que significarão verdadeiros desafios para o governo: Ampliar a rede de hospitais e implementar centros dedicados ao tratamento de idosos e de pessoas viciadas em crack. Aumentar o efetivo policial para 52 mil e fortalecer as corregedorias. Inaugurar 50 novas escolas de ensino médio e reformar outras 200. E investir na infra-estrutura da cidade.

É preciso que a sociedade analise o recente histórico da candidatura de seus governantes, para não incorrer no mesmo erro repetidamente por séculos afora.  Devemos analisar o que foi prometido e realizado no primeiro mandato e comparar com as promessas feitas durante a campanha de reeleição. Corremos o risco de ficar sem candidato…

 *Fábio Manes, Fabiana Targino e Gabriel Amorim, estudantes de Jornalismo da UniverCidade.

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