Cuidado em quem você vota. Pode ficar pior.

*Fabiana Targino, Fabio Manes e Gabriel Costa

Esqueçam a corrida presidencial entre Dilma Rousseff e José Serra e o fenômeno Marina Silva. O grande hit desta última eleição, ironias à parte, foi um palhaço. O fenômeno Tiririca, que com o lema “pior do que tá não fica”, conseguiu expressivos 1.353.820 votos válidos, segundo dados do TSE, e foi eleito Deputado Federal pelo Estado de São Paulo.

Francisco Everaldo Oliveira Silva foi o único a ultrapassar o número de 1 milhão de eleitores. Aqueles que votaram nele afirmavam que esse gesto tratava-se de um “voto de protesto”, contra os rumos que a política brasileira vem tomando. Mas é esta a melhor forma de protestar? Votar numa pessoa que não demonstra estar preparada para exercer um cargo dentro da esfera administrativa do país, responsável por propor, alterar e revogar leis, simplesmente demonstra que o brasileiro ainda não sabe votar. E o pior: ainda não possui noção do poder que tem em mãos.

E no Rio de Janeiro? Foi diferente?

Wagner Montes foi eleito sem fazer campanha. O seu programa de TV já foi suficiente para elegê-lo Deputado Estadual. Romário foi eleito Deputado Federal prometendo lutar pelos direitos das pessoas com necessidades especiais, como sua filha, mas alguém sabia disso? Bebeto, que anexou ao seu nome a expressão “Tetra” foi eleito por causa de suas propostas ou por ter sido campeão da Copa do Mundo de 1994, junto com Romário? A ex-atriz Myrian Rios e o ex-BBB Jean Wyllys também conseguiram ser eleitos, mas assim como Tiririca, eles estão preparados para o que vem a seguir? São algumas perguntas que o eleitor deveria ter feito antes de ter decidido o seu voto.

Algumas vezes, um sobrenome é capaz de fazer milagres. Mesmo condenado pela justiça como formador de quadrilha, Anthony Garotinho conseguiu ser eleito Deputado Federal, assim como sua filha, Clarissa Garotinho, eleita Deputada Estadual. Jorge Picciani não conseguiu se eleger Senador, mas seus dois filhos, Leonardo e Rafael Picciani, foram eleitos Deputado Federal e Estadual, respectivamente. Não podemos nos esquecer de Rodrigo Maia, Andréia Zito, Marcio Panisset e Sergio Zveiter. O sobrenome já denuncia o parentesco.

Ao que parece, ter um sobrenome famoso, um programa de televisão, ser um ex-atleta, uma celebridade ou até mesmo fazer parte de uma igreja já é suficiente para qualificar uma pessoa como política e atrair os votos do povo. Isso não capacita estas pessoas a decidir os rumos do país.

A professora e advogada Paola Ribeiro, de 28 anos, afirma que é de total importância conhecer a plataforma do candidato. Ela diz: “O escolhi pela sua vida pública limpa, pelas mudanças propostas e por acreditar que ele é o melhor candidato”. Já o administrador de empresas Leandro Alves, de 26 anos, diz que anulou o seu voto, por não acreditar nos candidatos.

Além de dirigentes mais qualificados, é preciso que o brasileiro saiba em quem votar, e isso só poderá ser alcançado por um povo mais instruído que conheça e que saiba lutar por seus direitos.

*Estudantes de Jornalismo Online da UniverCidade.

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