A segunda casa do futebol carioca não cativa a ida dos seus visitantes

*Fernando Melo, Ricardo Machado

Com a Copa do Mundo de futebol se aproximando, o Maracanã, conhecido como o maior estádio do mundo, teve que ser fechado para obras, e conseqüentemente um jogo de futebol que antes, tradicionalmente, tinha endereço certo, agora foi preciso estender o trajeto para outro ponto da cidade: Engenho de Dentro. Não é muito longe, porém o que era para ser um programa de família, acaba se tornando para muitos uma verdadeira dor de cabeça quando falamos do Estádio Olímpico João Havelange, conhecido popularmente como Engenhão.

Construído para o Pan Americano de 2007, o estádio tinha como objetivo se tornar a segunda casa do futebol carioca e revitalizar as imediações do bairro Engenho de Dentro, mas quem busca diversão nos dias de jogos, se depara com um estádio moderno, porém sem infra-estrutura suficiente para receber os torcedores.

O histórico deste estádio já começa errado desde a sua construção. Inicialmente orçado em R$ 60 milhões, o Engenhão teve um custo final mais de seis vezes do esperado: R$ 380 milhões. O projeto. elaborado desde 1995, teve como base estudos de estádios no mundo todo e sua proposta era de tornar o Engenhão o mais moderno para o Pan 2007. A pouco menos de um mês para o início do evento, estava pronto, porém despreparado para receber seu público. A data de conclusão da obra foi adiada cerca de quatro vezes, estava prevista para ser concluída em meados de 2006, passou para o final do mesmo ano, posteriormente para a metade do primeiro semestre de 2007, até a semana de inauguração.

O ex-prefeito Cesar Maia é um dos seus maiores defensores. Em trecho de entrevista concedida à Revista Veja Rio, se vangloria da construção do estádio. “ em 2007, época das obras do Pan do Rio me lembro que muita gente criticava a construção do Engenhão.. Achavam que seria uma obra inútil, um elefante branco, desperdício, etc… mais ou menos o que se fala hoje da Cidade da Música. Agora nem parece que houve estas críticas”. Oportunismo à parte, a verdade é que os freqüentadores não comungam da mesma opinião do antigo administrador da cidade.

Difícil acesso

O estádio ocupa um terreno de 200 mil m² em 128 mil m² de área construída. Possui quatro entradas, chamadas Sul, Leste, Norte e Oeste. Estes acessos localizam-se, respectivamente, nas Ruas Arquias Cordeiro, Dr. Padilha, Das Oficinas e José dos Reis. Em frente à ala Sul do estádio, localiza-se a estação de trem do Engenho de Dentro.

Há duas formas de se chegar ao estádio, carro ou transporte público, porém ambas tem inúmeras dificuldades. Um dos pontos fracos é o trajeto para quem vem de carro pela Linha Amarela, que além de perigoso e lento por causa do trânsito de quem está saindo do trabalho. A prefeitura vai iniciar obras que facilitarão o acesso, mas no momento nenhuma dessas obras está sendo feita. O estacionamento do estádio, que passou a funcionar para todo o público apenas em 2008, possui 1660 vagas cobertas. O preço cobrado pela vaga por evento é de R$ 10. Encontram-se no local, também, 220 vagas destinadas a autoridades e convidados, dez para ônibus e sete caminhões e geradores de televisão. Apesar de parecer relativamente grande, o número de vagas é insuficiente para o total de torcedores.

A falta de um estacionamento que comporte a capacidade do estádio é o grande problema, além do seu preço que não é dos mais baratos, R$10,00. “Eu acho um absurdo” diz o torcedor botafoguense e estudante Andre Pino” e esse preço de dez reais é para quem consegue estacionar no estádio, o que é quase impossível. É muito desorganizado” critica. Aqueles que não conseguem estacionar no estádio, ficam a mercê dos flanelinhas nas ruas e correndo o risco de não encontrar o seu carro após o término do jogo. “Se você estacionar ao redor do Engenhão é quase 20 reais com os flanelinhas. E quem não paga se dá mal”comenta Andre.

A segunda maneira de se chegar ao Engenhão seria teoricamente a mais rápida e a menos complicada, porém o transporte público não é capaz de satisfazer as necessidades das milhares de pessoas que vão ao estádio. As informações oficiais são que a Supervia, empresa que administra os trens, e a prefeitura firmaram acordo para a construção de uma passarela que liga a estação à entrada do estádio. Dentro da estação, foram instaladas escadas rolantes e catracas eletrônicas, além de terem sido construídas novas bilheterias da Supervia na direção da passarela. O total gasto com obras nos arredores do estádio chegou a R$ 20 milhões. Há uma linha de trem direto da Estação Central do Brasil para o estádio. Saindo da estação Central, passam pelo estádio os ramais Japeri, Deodoro e Santa Cruz. Porem não é isso que se vê nos dias de jogo. Falta de informações, bagunça na entrada e saída das estações, pouca sinalização são recorrentes. “Já perdi dois jogos porque não consegui chegar ao estádio há tempo. Me perdi e ninguém conseguia me dar uma direção” falou o jornalista Leonardo Coqueiro. “Apesar de ser a casa do meu time de coração, eu fico frustrado com o Engenhão”. Com trens e metrô antigos e que não são capazes de suportar o fluxo de um dia de jogo e o horário de saída do trabalho, acaba desencorajando as pessoas de irem aos jogos.

*Estudantes de Jornalismo On-line da UniverCidade