É com esse que eu vou

Samba: o ritmo que tem agitado e embalado a Cidade Maravilhosa*Thaís Maia
São incontáveis os nomes e estilos que fazem parte da música popular brasileira. Suas raízes africanas se solidificaram em vários ritmos que se espalham por todo o nosso território. O samba é um destes estilos musicais que tornaram a história do nosso país mais bela e reconhecida internacionalmente.

De origem afro-baiana, o ritmo descendente do lundu, era usado nas festas dos terreiros entre umbigadas e pernadas de capoeira. No início do século XX, foi adotado por compositores como Ernesto Nazareth, Noel Rosa, Cartola e Donga, que o retiraram da obscuridade e o legitimaram na cultura oficial. Samba-canção, samba de breque, samba de roda, samba enredo, samba rock, o samba não pára de crescer e se reinventar.

No centro do Rio, na esquina da Rua do Ouvidor com a Rua do Mercado, em todos os sábados que São Pedro permite, acontece o Samba da Ouvidor, que tem como principal foco manter sempre, em alto mastro, a bandeira do samba. A roda é dirigida por Gabriel da Muda, compositor, boêmio e sambista nato, que com sua voz grave e marcante, encanta os apaixonados pelo ritmo.

Toda segunda-feira, Moacyr Luz comanda uma das melhores rodas da cidade, o Samba do Trabalhador, que acontece no bairro do Andaraí, no Clube Renascença, um dos mais antigos redutos do movimento negro no Rio. A roda se tornou um grande sucesso na cidade, e está a ponto de lançar CD e DVD mostrando as grandes figuras renomadas que lá se apresentam, e compõem a nossa história.

Completando 50 anos de história, em janeiro de 2011, o Cacique de Ramos, bloco carnavalesco originário do subúrbio carioca de Ramos, zona da Leopoldina, presidido por Ubirajara Félix do Nascimento, mais conhecido como Bira, foi tombado como Patrimônio Cultural da Cidade do Rio de Janeiro, no dia 15 de abril deste ano, e ainda reformou a quadra do Grêmio Recreativo, situado na Rua Uranos, em Ramos. O bloco conhecido no Japão, Estados Unidos e em vários países da Europa, é um dos poucos que ainda desfila pelas ruas da Leopoldina (Ramos, Olaria, Bonsucesso, e adjacências).

Com um estilo próprio, o Cacique escreve sua história com nomes de grandes compositores, dentre eles, Niltinho Tristeza, João Nogueira, Jorge Aragão, Dida, Neoci Dias, Almir Guineto, Sereno, Agildo Mendes, Chiquita, Marcílio e Bira Presidente. O bloco tem como base, a defesa e o resgate da cultura do índio brasileiro. A partir do mês de outubro, os ensaios das escolas, regados à típica comida brasileira, começam a acontecer, e agitar a vida dos boêmios, e claro, fãs do samba enredo. Lá para os lados de Madureira, quem agita é a Portela, com sua tradicional feijoada preparada pelas herdeiras da Tia Vicentina. A escola relembra os sambas do mestre Candeia, Manacéia, Alfaiate, e muitos outros que compõem a história de uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio. Aliás, vale um salve para Tia Surica, uma das maiores pastoras da Portela, que neste mês, completou 70 anos de vida! A feijoada rola nos primeiros sábados do mês. Já no
segundo domingo do mês, a Feijoada do Salgueiro, que desde setembro de 2006 faz parte do calendário de eventos da escola, tem apresentado o verdadeiro samba de raiz, reunindo cerca de 3.000 pessoas, em sua quadra, na Tijuca. Uma das mais reverenciadas agremiações do carnaval carioca, a Mangueira, não poderia ficar pra trás na junção feijão e samba. Com grandes nomes como Carlos Cachaça, Cartola, Zé Espinguela, Jamelão, entre outros, a verde e rosa, apresenta sua feijoada no segundo sábado de cada mês, no Palácio do Samba, na Mangueira.

No dia 2 de dezembro é comemorado o Dia Nacional do Samba e, com certeza, o feijão, a cerveja gelada, o cavaco, violão, pandeiro, surdo, tantã e tamborim já confirmaram presença nas muitas rodas que acontecem na Cidade.
*Thaís Maia é estudante de Jornalismo da UniverCidade.

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