Tecnologia é interatividade


A filosofia da coletividade na web

*Vivi Maurey

Não dá para falar de internet sem antes mencionar Pierre Levy, certo? E para deixar bem claro: Pierre Levy talvez seja um dos filósofos mais otimista com relação à internet, ou cyberespaço, como a chama.

Num ponto de vista Leviano, antes da internet, esse espaço público de comunicação era de certa forma controlada pelas instituições que tinham o poder da informação. Hoje, com a rede e a quantidade de tecnologias intelectuais que aumentam e modificam nosso dia a dia, facilitando cada vez mais o acesso à informação, quase todo mundo ganha essa capacidade de adquirir, trocar e até produzir conteúdo nesse palco da diversidade cultural, sem o regime autoritário ou censura.

Afinal, a partir do momento que a comunicação via web é interativa e coletiva, há um desenvolvimento social, que leva cada vez mais à criação de novas necessidades e com isso, uma nova sensibilidade ao ver o cyberespaço. Torna-se possível o aprendizado coletivo. O que antes era considerado totalitário, autoritário, agora é substituído por um saber menos centralizado, mais abrangente, onde muitos colaboram infinitamente, dando cada vez mais novas visões, opiniões e respostas.  

Rapidamente a evolução tecnológica, além de trazer digitalização e modernização, não só das vias de conteúdo, mas do próprio conteúdo, têm potencializado o desenvolvimento de serviços e produtos, assegurando a acessibilidade desses conteúdos a toda população, através da convergência digital.

Fazendo uma comparação, embora tenhamos outros pensadores não tão otimistas quanto Levy, o entendimento é basicamente o mesmo. Para Henry Jenkins, professor e autor de vários livros sobre a cultura e a convergência das mídias, esse processo deve ser entendido como um entrosamento cultural e não apenas um avanço tecnológico. Especialista em influências digitais na cultura popular, Jenkins também defende argumentos sobre a interatividade do público nas redes cibernéticas, apontando as vantagens do aprendizado coletivo em jogos virtuais, blogs, discussões em grupos on-line, entre outros.

Para entender melhor o assunto, vou exemplificar. No mundo da tecnologia, a convergência foi para a internet o que a impressora foi para o mundo da informação: o princípio do desenvolvimento de novas possibilidades. Não basta um aparelho de celular ter conexão de internet, ou uma tv possibilitar a interação do telespectador, ou um aparelho de tocar música ser capaz de reproduzir vídeo, gravar conteúdo, conectar-se à internet, ver canais de TV a cabo ou satélite e monitorar as câmeras posicionadas na própria casa a quilômetros de distância. A coletividade que é proporcionada por meio da internet é infinita, tendo em vista que sempre haverá alguém para dar sua opinião e sua contribuição às informações, gerando sempre novas necessidades.
           
Seja qual for a necessidade encontrada, antes de mais nada, estamos falando de democratização da informação, assunto que atiça a polêmica, já que no Brasil, apenas uma pequena parte da população tem acesso à internet. É por isso que não dá para falar de democracia das novas tecnologias sem permitir a inclusão digital e seus objetivos.

Levando em conta que o princípio básico de tudo é a melhoria, desenvolvimento, rapidez e melhor proveito do tempo, o cidadão não deve apenas conhecer as novas linguagens e conceitos midiáticos, e sim, usufruir da capacidade de aprender, e produzir informações em caráter virtual e ao mesmo tempo atemporal. Para isso, há estratégias e projetos que facilitam o acesso de pessoas de baixa renda, além de usuários com deficiência, as redes de conteúdo.

Por fim, deve-se levar em conta, que nesse novo cenário, onde o público tem acesso sem censura, existe em grande escala a transgressão dos direitos autorais com a pirataria, os golpes, os tráficos, ações ilegais no geral que condenam a internet a ter o seu lado negativo. Todavia, o sentimento e o caráter do ser humano não surge com a internet. É apenas colocado em evidência, de maneira brusca e extremamente visível, como todos já estamos bem acostumados.

*Estudante de Projeto de Jornalismo On-line da UniverCidade