Futebol do século XXI

*Sérgio Perrout

Ah!!! O futebol… Paixão mundial, ópio das massas, transforma simples mortais em mitos da noite para o dia, alimenta sonhos de milhares de jovens, mas acima de tudo gera milhões, alias bilhões. É isso aí, estamos vivendo a era do futebol empresa. Jogadores vêm e vão entre os clubes sem aquele vínculo que existia antigamente quando um atleta passava toda a carreira em um clube. Mesmo com tudo isso, o lado romântico do esporte mais popular do planeta continua firme e forte apesar dos céticos teimarem em dizer que não, os fatos provam o contrário.

As pessoas amam o futebol, o jogo em si, a cultura de sacanear o amigo que torce por um time rival. Este ano durante a Copa do Mundo, vimos o patriotismo aflorar em cada cidadão dos países envolvidos na competição. Pessoas nas ruas pintadas com as cores de suas bandeiras uma verdadeira paixão pela pátria mãe. E aonde tem paixão existe também o lúdico, o sonho enfim, o lado romântico do qual falamos agora a pouco.

E no meio desse turbilhão de emoções que é o futebol, existe uma coisa que é quase unanimidade entre céticos e românticos: o uso da eletrônica para auxiliar a arbitragem. Mas ao que me parece, a FIFA, órgão máximo do futebol mundial, não compactua com nenhum dos lados. Conseguindo contrariar a todos pela falta ou pelo uso de argumentos furados para o não uso do Vídeo Tape no auxílio do arbitro.

Caso já estivesse em prática o uso do recurso eletrônico, vexames teriam sido evitados para o esporte, como a mãozinha amiga do atacante francês, Tierry Henry que tirou a Irlanda da Copa. Ou o gol anulado da Inglaterra contra a Alemanha valendo pela própria Copa do Mundo que a FIFA organiza e vende para milhões de pessoas como um espetáculo esportivo.

A FIFA alega que o uso do recurso eletrônico tiraria a emoção do espetáculo. O que não é de forma alguma verdade. Pergunte para um irlandês se ele achou emocionante a desclassificação do seu país. E também não seria um show pirotécnico, só lançaria mão do replay em lances capitais para a partida. Ok, primeiro argumento derrubado. Vamos para o segundo: As partidas ficariam muito longas com as interrupções o que não agradaria os patrocinadores. Mentira, pois hoje em dia um replay para ser gerado leva alguns segundos. O que não mudaria muito, já que a partida é interrompida por motivos banais a toda hora.

Teria somente que botar um outro arbitro em uma sala com os monitores e um ponto para falar diretamente com o juiz sem pressão de torcida ou clubes envolvidos. Mas pela suas atitudes a FIFA mostra que não está muito preocupada em resolver, mas sim em complicar. Talvez seja exatamente esse o interesse do pessoal de Genebra. Para que a polêmica continue dentro de campo e nas arquibancadas, para que os contratos bilionários e acordos nem sempre transparentes, para não dizer outra coisa, fiquem em segundo plano e dirigentes fiquem cada vez mais milionários na farra da grana que é o mundo das grandes federações de futebol.

Assim o futebol vai ficando para traz em credibilidade, em relação a outros esportes, e o que não é confiável, teoricamente, não é vendável. A pergunta que fica é: Onde estamos nós, o publico consumidor no meio dessa confusão? Afinal somos ou não somos nós que mantemos essa roda da fortuna? Sendo assim merecemos no mínimo pagar por algo que não esteja nos enganando. Cedo ou tarde a FIFA terá de ceder à opinião pública e algo me diz que mais cedo do que imaginamos vamos ver por ai partidas sendo interrompidas para que os juízes possam analisar uma jogada duvidosa. A voz do povo felizmente ou infelizmente, continua sendo a voz de Deus. Ou alguém duvida deste fato? Mas se duvidar, não tem problema algum é apenas um jogo de futebol, nada mais.

* Estudante de Projeto de Jornalismo On-line da UniverCidade

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