Compra de flores, mercado e feira feitas de casa

*Bruno Quintella
A dona-de-casa agora alça novos voos. Para além de seus domínios, como sempre foi praxe, ela não precisa ir mais à feira para comprar frutas ou legumes. O supermercado também não fica tão distante do lar. Tampouco presentear amigos ou familiares com buquês robustos da flor predileta. A tecnologia, através da internet, permite que a dona de casa não saia mais de casa para fazer compras do mês e até atender aos caprichos da vaidade. Tudo agora pode ser resolvido com ajuda de um teclado, uma tela de cristal líquido e uma conexão com a internet, a rede mundial de computadores.

Evidentemente que há as que resistem à novidade tecnológica, as que não abrem mão de ir ao mercado ou fazer feira. Apalpar os tomates, escolher as frutas para o almoço de domingo, sentir o cheiro das verduras. Percorrer os corredores das seções, fazer a lista escrita à caneta, alternando o olhar atento ora às prateleiras ora à palavra riscada referente ao produto encontrado. Em outro patamar desta modernidade, fica a pergunta: como escolher um perfume de casa, pela internet, sem sentir o aroma que sai do frasco? Hoje, a perfumaria é que vai até aos lares das mesmas senhoras. São outros tempos, outros ventos que trazem este cheiro de mudança.

E por falar em perfumes, as flores também passaram a ser escolhidas à distância. São sites que oferecem entregas em qualquer estado do Brasil e outros que entregam até no exterior. Não só donas-de-casa utilizam este serviço, homens de diferentes idades também usufruem das entregas para presentear as esposas ou namoradas. Os estabelecimentos envidraçados de outrora, que acumulavam todo o aroma misturado das rosas e jasmins, por exemplo, hoje perderam o espaço para as lojas virtuais.

Se a dona de casa ficou mais dona de casa com a possibilidade de ficar mais atrelada às tarefas do lar, sem sair do domicílio ou se a tecnologia permitiu que ela ficasse mais caseira, fisicamente, ou menos caseira no sentido conceitual ainda é cedo para afirmar. Uma coisa é certa: essas mulheres, conhecidas popularmente como as do lar, estão passando por transformações, com novos hábitos para antigas tarefas. Sem cheiro ou tato, cabe somente a elas enxergar como vão lidar com essas mudanças: fora de casa.

*Bruno Quintella, estudante de Jornalismo Online da UniverCidade.