A vida imita a arte! Ou será o contrário?

*Eliana Simião

Não resta dúvidas que os cariocas administram bem os paradoxos da vida. Ao mesmo tempo em que destacam a violência como principal fator causador da angústia dos moradores do Rio, lotam as salas dos cinemas da cidade para assistirem as cenas que já fazem parte da rotina dos cariocas.

Recorde de bilheteria, o longa Tropa de Elite 2 já ultrapassou a marca de seis milhões de espectadores, na primeira semana de exibição já havia se tornado o filme mais visto. Ainda assim, foi possível assistir muitos cariocas frustrados por não conseguirem “comprar” um ingresso para assistirem no telão as cenas do nosso cotidiano. Mesmo que para isso tivessem que rodar vários cinemas da cidade na esperança de não toparem com um largo “ESGOTADO”….

Assim como no primeiro filme, a trama lida com a questão do tráfico, corrupção, prisões, assassinatos, milícias e outras pautas exploradas diariamente nos noticiários. Parece que a “fama” da cidade maravilhosa rendeu. Aliás, sempre renderá.

No meio jornalístico chamamos de interesse do público. Embora, nosso foco seja o interesse público. Mas, jornais e superproduções precisam sobreviver e, por conta disso, devem alimentar o seu alvo.

Não à toa, o sábio Samuel Wainer (que tanto contribuiu para o jornalismo brasileiro) destacou em seu Jornal “Última Hora” os assuntos policiais. Desde então, o tema ganhou espaço e impulsionou as tiragens dos periódicos. A certeza de que sempre teve e sempre terá público, audiência e vendagem.

Não me espanto com o sensacionalismo ou oportunismo dos produtores e empresários. Mas com a banalização do estado de sítio.

Ora o capitão nascimento precisa combater o poder paralelo para ser herói. E, no telão não parece tão difícil assim, aliás, chega até ser gratificante, justo e representa um pouquinho da nossa revolta. Mas na realidade esse “poder” se inverte e, nós, tornamo-nos passivos e personagens da ameaça constante. Com a apavorante angústia de haver uma mudança no script e nos tornarmos protagonistas dessas notícias, vítimas desse drama.

Então, fica a dúvida: essa platéia não seria um incentivo para o comercio da violência?

*Estudante de Projeto de Jornalismo On-line da UniverCidade